A escolha do seu representante legal é uma das decisões mais importantes num momento de conflito ou necessidade jurídica. Não se trata apenas de encontrar alguém que conheça a lei, mas sim um profissional que seja o parceiro estratégico adequado ao seu caso e aos seus objetivos. Para o auxiliar neste processo, apresentamos sete conselhos simples e práticos.
1. Priorize a Especialização, Não a Generalidade
O Direito é vasto. Evite advogados generalistas para questões que exigem conhecimento aprofundado. Se tem um problema de família, procure um especialista em Direito da Família; se é fiscal, um especialista tributário. Um advogado especializado não só conhece a lei, mas também a jurisprudência mais recente e as táticas processuais específicas daquela área.
2. Avalie a Experiência Relevante (E Não Apenas a Antiguidade)
A antiguidade na profissão é um fator, mas não o mais importante. Questione a experiência prática do advogado em casos semelhantes ao seu. Pergunte sobre o tipo de resultados obtidos e se estão habituados a lidar com o tribunal ou a jurisdição que o seu caso exige. A experiência relevante é aquela que se traduz em conhecimento aplicável ao seu problema.
3. Exija Transparência e Clareza na Comunicação
O vocabulário legal é complexo. O advogado ideal deve ser capaz de traduzir a linguagem jurídica para termos que compreenda, explicando claramente os riscos, as etapas e as probabilidades de sucesso. Se o profissional utiliza termos excessivamente técnicos sem os esclarecer, ou se não é acessível, a comunicação será um obstáculo. A clareza é um sinal de respeito e competência.
4. Entenda a Estrutura e o Timing dos Honorários
Não baseie a sua escolha apenas no preço mais baixo. Peça um orçamento detalhado que especifique claramente: o que está incluído (consultas, elaboração de peças, deslocações), as modalidades de pagamento (taxa fixa, taxa horária ou quota litis) e as despesas processuais expectáveis. A transparência financeira evita surpresas desagradáveis no futuro.
5. Analise a Disponibilidade e o Método de Trabalho
O seu caso, independentemente do tamanho, exige dedicação. Antes de contratar, questione a carga de trabalho atual do advogado e qual o tempo de resposta expectável a emails ou chamadas. É crucial saber quem irá tratar diretamente do seu caso (o sócio principal, um associado, etc.) e qual o método utilizado para o manter informado sobre a evolução processual.
6. Confie no Seu Instinto: A Relação de Confiança
A relação com o seu advogado exige confiança e empatia. Este profissional terá acesso a informações sensíveis da sua vida. Durante a primeira consulta, avalie se sente à vontade para partilhar detalhes, se o advogado o escuta ativamente e se demonstra a serenidade e o rigor que procura. A confiança mútua é o pilar de um patrocínio eficaz.
7. Peça Referências e Faça uma Consulta Inicial Paga
Peça referências a pessoas da sua confiança ou a outros profissionais. Se for possível, realize uma consulta inicial paga. Esta consulta tem dois objetivos: a) obter uma primeira avaliação técnica e estratégica do seu caso; b) perceber a dinâmica de trabalho do advogado antes de assumir um compromisso de longo prazo. É um investimento na sua tranquilidade.
Em suma, a escolha do seu advogado deve ser um processo metódico e estratégico, focado na especialização e na experiência prática na sua área de necessidade. A transparência na comunicação e nos honorários é indispensável, assim como a garantia de que existe disponibilidade e uma sólida relação de confiança mútua. Investir tempo numa avaliação inicial cuidadosa, recorrendo a consultas pagas ou referências, assegura que terá ao seu lado o parceiro ideal para alcançar o resultado jurídico mais favorável.